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    Boletim LACLIMA  

    26 de março de 2025 / Geral

    Relato do Fórum Global sobre meio ambiente e mudanças climáticas, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. 

    *Por André Castro Santos 

    Nos dias 18 e 19 de março de 2025, ocorreu o CCXG Global Forum on the Environment and Climate Change, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, no formato híbrido. O evento reuniu especialistas, formuladores de políticas e representantes de diferentes setores para discutir questões centrais no avanço da agenda climática global. 

    As discussões tiveram como foco os indicadores para medir o progresso da adaptação no contexto do UAE-Belém Work Programme, bem como as primeiras lições extraídas dos Relatórios Bienais de Transparência (Biennial Transparency Reports – BTRs), que servirão para informar a próxima rodada de Contribuições Nacionalmente Determinadas (Nationally Determined Contributions – NDCs). 

    Para subsidiar os debates, documentos preliminares sobre esses dois temas foram disponibilizados em 25 de fevereiro de 2025.  

    Este boletim apresenta uma síntese das discussões realizadas durante o Fórum, destacando os principais pontos abordados, as contribuições dos participantes e as implicações para futuras negociações climáticas. 

    Painel de Abertura 

    O evento foi inaugurado com um painel que contou com a participação de especialistas de diferentes setores, incluindo representantes da Agência Internacional de Energia (IEA), da European Climate Foundation (ECF) e do Comitê Consultivo Sindical da OCDE (TUAC). 

    A IEA destacou que, apesar do recorde de temperaturas globais, houve um avanço significativo na adoção de fontes renováveis de energia. O crescimento no setor de energia limpa tem sido uma boa notícia tanto para a transição climática quanto para a economia, com o aumento dos empregos nesse setor superando não apenas os postos de trabalho nos combustíveis fósseis, mas também a taxa geral de geração de empregos na economia. Projeções indicam que, considerando as políticas atuais, o mercado de tecnologias limpas triplicará até 2035. 

    A presidente da ECF, Laurence Tubiana, ressaltou que o nacionalismo pode ser um entrave à cooperação climática global. Ela destacou que a presidência da COP 30 tem um grande potencial de liderança, especialmente com o Brasil priorizando a implementação das políticas climáticas. Tubiana enfatizou a importância de evitar a fragmentação da ação climática e de fortalecer os instrumentos já existentes. Além disso, apontou o papel fundamental dos atores subnacionais, que têm capacidade de avançar significativamente na mitigação, no financiamento e na adaptação/resiliência climática. 

    Tubiana também destacou que os resultados do Novo Objetivo Quantificado de Financiamento Climático (NCQG) não foram satisfatórios e que o Baku-Belém Roadmap representa uma oportunidade crucial para corrigir essa situação. Entre as prioridades da COP 30, está a necessidade de avançar nesse tema. Segundo ela, setores como a aviação e a navegação devem contribuir mais para o financiamento climático, e abordagens baseadas em “clubes” de países podem trazer benefícios, desde que o sistema multilateral seja reforçado para garantir que os países mais pobres tenham voz nas decisões. 

    Por fim, o TUAC pediu a palavra para reforçar a necessidade de que o Just Transition Work Programme (JTWP) leve em consideração os direitos e interesses dos trabalhadores na transição climática, garantindo uma abordagem justa e equitativa na mudança para uma economia de baixo carbono. 

    Relatórios Bienais de Transparência (BTR) e sua relação com as NDCs 

    O painel dedicado aos BTR abordou como essas informações podem contribuir para a próxima rodada de NDCs. A sessão contou com a participação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do New Climate Institute e do Ministério do Meio Ambiente do Brasil. 

    O PNUD destacou que a transição justa e equitativa requer cortes profundos de emissões e o aumento do financiamento climático. Um dos principais pontos do debate foi o parágrafo 28 da decisão do Global Stocktake (GST), que trata da transição energética, incluindo a redução gradual e eliminação dos combustíveis fósseis e a necessidade de triplicar a capacidade de energia renovável. 

    Entre os desafios identificados está o impacto econômico da eliminação dos combustíveis fósseis em países em desenvolvimento, que pode resultar em penalizações financeiras, como rebaixamento da classificação de crédito e dificuldades impostas pelo alto endividamento e custo do capital. 

    Para enfrentar esses desafios, o PNUD apresentou quatro principais frentes de apoio aos países: 

    1. Redução rápida de emissões: apoio à definição de metas energéticas nas NDCs, incluindo planos de transição justa e soluções descentralizadas de energia limpa. 
    1. Descarbonização industrial: trabalhando em parceria com o “Climate Club” para promover a transição industrial em 45 países. 
    1. Conservação e restauração da natureza: apoio a soluções baseadas na natureza em setores-chave, como água, energia, agricultura e florestas. 
    1. Florestas e conservação: fortalecimento da participação de povos indígenas e comunidades locais na implementação das NDCs. 

    O PNUD também apresentou um checklist de qualidade para a terceira geração de NDCs, abordando aspectos como inclusão, ambição, transição justa, transparência e viabilidade financeira. 

    Apesar dos desafios, o PNUD afirma estar comprometido em ajudar os países a traduzirem os resultados do GST em ações climáticas concretas. 

    No mesmo painel, o New Climate Institute destacou a necessidade de aprimorar a transparência e o monitoramento das medidas climáticas dentro das NDCs. Embora algumas iniciativas, como a implantação de energias renováveis, estejam bem documentadas, outras, como a eliminação progressiva do carvão sem mitigação, ainda carecem de maior detalhamento. Além disso, reforçou-se a importância de que os compromissos para 2035-2040 tragam maior clareza sobre metas setoriais e metodologias de monitoramento. 

    Outro ponto central abordado foi a avaliação da ambição climática. O Climate Action Tracker tem desempenhado um papel essencial na mensuração da ambição das NDCs em relação a benchmarks internacionais. Contudo, um dos desafios enfrentados é a necessidade de traduzir modelos globais para realidades nacionais. Para lidar com essa questão, foi criada a Scenario Contest Initiative, uma rede que conecta mais de 90 equipes de modelagem climática em níveis globais e nacionais, garantindo uma abordagem mais contextualizada para cada país. 

    O New Climate Institute também apresentou uma nova abordagem para definir benchmarks climáticos, baseada em três pilares: 

    1. Análise de Modelagem Global – utiliza modelos de avaliação integrada para projeções de longo prazo. 
    1. Modelagem Nacional – incorpora dados nacionais para adaptar os benchmarks ao contexto específico de cada país. 
    1. Comparação de Políticas e Trajetórias – avalia as trajetórias de países com perfis semelhantes para criar referências realistas. 

    Essa nova metodologia visa garantir que os benchmarks sejam simultaneamente ambiciosos e viáveis dentro das condições nacionais, contribuindo para um processo de monitoramento mais eficaz e para compromissos climáticos mais robustos. 

    O representante do Brasil, Érico Rocha, apresentou as novas metas climáticas do país, reafirmando o compromisso com a neutralidade climática até 2050. A nova NDC do Brasil traz metas de redução absoluta de emissões para um intervalo entre 13% e 29% entre 2025 e 2030. Segundo Rocha, essa definição foi baseada em modelos nacionais e internacionais, garantindo alinhamento com a Missão 1.5°C, um dos principais resultados do GST. 

    O Brasil também abordou seu Plano Nacional do Clima, que se estrutura em: 

    A consulta pública e a participação de stakeholders foram enfatizadas como elementos essenciais para garantir a inclusão e a viabilidade dessas iniciativas. 

    No setor de transição energética, o Brasil reafirmou seu compromisso com a ampliação das energias renováveis. Segundo a apresentação, o Plano de Mitigação do Setor de Energia, atualmente em discussão pública, prevê expansão da geração de eletricidade renovável, substituição progressiva de combustíveis fósseis por eletrificação e biocombustíveis avançados e criação de um arcabouço regulatório estruturante para fomentar investimentos. 

    Ainda segundo a apresentação do representante brasileiro, na gestão do uso da terra e florestas, o Brasil estabeleceu metas alinhadas ao parágrafo 33 do GST, incluindo eliminar o desmatamento ilegal até 2028, reverter a degradação florestal até 2030 e restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 

    Segundo Rocha, a estratégia brasileira combina reforço das medidas de comando e controle com incentivos econômicos positivos para a conservação florestal em propriedades privadas. O representante também destacou os avanços na redução do desmatamento da Amazônia e os novos esforços para conservação do Cerrado. 

    O Brasil concluiu sua participação reafirmando o compromisso com uma transição climática justa e integrada ao desenvolvimento econômico, alinhando-se com as diretrizes do GST. 

    A representante da China elogiou a abordagem do Brasil em sua NDC, destacando que o compromisso não se limitou apenas ao parágrafo 28 do GST, mas abordou de maneira abrangente diversos aspectos da transição climática. Por sua vez, a representante do Zimbábue ressaltou que muitos países em desenvolvimento relataram, por meio dos BTRs, a falta de recursos suficientes para implementar suas NDCs. 

    Debate sobre Transparência, Ambição e Implementação das NDCs 

    Na sequência, houve um debate sobre transparência, ambição e implementação das NDCs. A discussão enfatizou que o tema é essencial para garantir que os compromissos climáticos sejam efetivos. Observou-se que, enquanto a transição para energias renováveis está bem detalhada nos BTR, outros temas, como a eliminação do carvão sem mitigação, ainda carecem de maior clareza. Além disso, à medida que os compromissos climáticos avançam para 2035-2040, a necessidade de detalhamento setorial das NDCs se torna mais evidente. 

    O Papel do Net Zero e o Desafio da Ambição Climática 

    O debate também abordou a influência crescente das metas de neutralidade climática (Net Zero) na definição das NDCs. No entanto, foram apontadas dificuldades na comparação entre diferentes rodadas de NDCs, devido às mudanças no ano-base utilizado para o cálculo das emissões. Recomenda-se que os países mantenham consistência no ano-base para garantir maior transparência e comparabilidade. 

    Justiça Climática e Transição Justa 

    Outro ponto abordado foi a transição justa, que busca garantir que a descarbonização da economia minimize impactos sociais e econômicos. A União Europeia apresentou seu Fundo Social para o Clima, criado para mitigar os impactos da pobreza energética, sendo um modelo potencial para outros países. 

    O Papel da COP 30 e a Cooperação Internacional 

    A COP 30, que será realizada no Brasil, também foi abordada, enquanto oportunidade para avançar na implementação do parágrafo 28 do GST, incentivando a criação de marcos regulatórios e novas políticas climáticas. 

    Financiamento e Viabilidade das NDCs 

    Muitos países em desenvolvimento relataram dificuldades na obtenção de financiamento adequado para suas NDCs. Apesar da meta de US$ 100 bilhões anuais em financiamento climático, desafios persistem quanto à distribuição e alocação dos recursos. Possíveis soluções incluem aproveitamento de recursos existentes, desenvolvimento de casos de negócio para atrair investimentos privados e criação de novos mecanismos de financiamento climático. 

    Conclusão e Recomendações 

    O debate gerou algumas recomendações fundamentais: 

    1. Garantir maior transparência na definição de metas de emissões. 
    1. Fortalecer a relação entre planos nacionais e NDCs. 
    1. Promover uma transição justa. 
    1. Criar espaços de cooperação internacional na COP 30. 
    1. Expandir o financiamento climático. 

    Transparência e Monitoramento das NDCs 

    Este painel discutiu o papel da transparência no monitoramento das NDCs, com uma apresentação introdutória da OCDE sobre as tendências das NDCs submetidas até 10 de fevereiro de 2025. 

    Tendências Identificadas pela OCDE 

    A análise da OCDE revelou quatro principais resultados nas respostas climáticas dos países ao GST: 

    1. Respostas quantitativas – com metas e números específicos. 
    1. Respostas qualitativas – políticas e estratégias sem quantificação detalhada. 
    1. Abordagem híbrida – mescla de elementos quantificados e descrições qualitativas. 
    1. Ausência de informação – dificultando a avaliação da ambição global. 

    A OCDE também avaliou a referência das NDCs ao parágrafo 28 do GST, que trata da transição energética e da eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis. Foi constatado que a maioria das NDCs não faz referência explícita ao parágrafo 28, muitas utilizam indicadores qualitativos em vez de metas quantitativas e informações sobre subsídios aos combustíveis fósseis ainda são escassas. 

    Desafios e Recomendações 

    Os principais desafios na monitorização das NDCs incluem falta de integração entre os indicadores já utilizados nos relatórios nacionais, dificuldades na capacidade técnica dos países para rastrear e relatar emissões e o fato de que poucas NDCs mencionam explicitamente seus compromissos no contexto do GST. 

    Para superar esses desafios, a OCDE recomendou maior integração de indicadores quantitativos, alinhamento das NDCs com os indicadores globais existentes, reforço da capacitação técnica em monitoramento e relato e apoio aos países em desenvolvimento para fortalecer sistemas de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV). 

    Debate sobre Conformidade das NDCs com o GST 

    A discussão abordou os desafios na avaliação da conformidade das NDCs com o GST, incluindo padronização das métricas utilizadas pelos países, relação temporal entre NDCs e GST e abrangência do GST, que inclui financiamento e tecnologia, além da mitigação. 

    A China destacou que o GST é um processo mais amplo que a mitigação e que não se deve julgar a conformidade dos países apenas com base nas diretrizes do parágrafo 28. 

    Durante o debate, a representante do Secretariado da UNFCCC enfatizou três aspectos para aprimorar a transparência: cooperação internacional na implementação do parágrafo 28, melhoria da capacidade técnica dos países em desenvolvimento e compartilhamento de boas práticas na Facilitative Multilateral Consideration of Progress (FMCP). 

    Conclusões e Encaminhamentos 

    A Importância da Ação Coletiva e da Definição de Metas em Adaptação 

    Na apresentação inicial sobre o tema, a OCDE apresentou a premissa de que a adaptação climática, embora seja um desafio essencialmente local, precisa ser apoiada e viabilizada por ações em nível nacional e global, incluindo financiamento, tecnologia e capacitação. A representante do Comitê de Adaptação ressaltou que a integração de indicadores padronizados nos relatórios climáticos é essencial para garantir a ambição e a coerência das estratégias nacionais de adaptação. 

    Os relatórios climáticos podem capturar esses esforços por meio de diferentes instrumentos mandatados pela UNFCCC e pelo Acordo de Paris, abrangendo tanto processos de planejamento (ex-ante) quanto o relato de progresso (ex-post). No entanto, desafios persistem para garantir que esses dados sejam consistentes e atualizados entre os diferentes instrumentos, minimizando redundâncias e maximizando a utilidade do GST. 

    Integração da Adaptação nos Relatórios Climáticos e Oportunidades Futuras 

    Na sequência, houve um debate sobre a integração da adaptação nos relatórios climáticos. Os países possuem diferentes opções para apresentar suas estratégias e compromissos de adaptação. As Comunicações de Adaptação (APCOMs) podem ser incorporadas em seus Planos Nacionais de Adaptação (NAPs), NDCs ou BTRs, garantindo alinhamento entre planejamento e monitoramento. 

    A incorporação dos resultados do Marco de Adaptação dos Emirados Árabes Unidos (UAE Framework) foi formalizada durante a última COP, garantindo que seus indicadores e metas sejam utilizados como insumos no próximo GST.  

    Para fortalecer essa integração, foram destacadas as seguintes iniciativas: adoção de diretrizes estruturadas para avaliar o progresso da adaptação; elaboração de relatórios de síntese consolidando dados de diferentes instrumentos (BTRs, APCOMs, NDCs e relatórios nacionais); criação de um portal interativo com informações sobre as estratégias nacionais de adaptação; e publicação periódica de relatórios de síntese sobre adaptação, fornecendo insumos para o GST e outros processos globais de avaliação. 

    Conclusões Principais e Próximos Passos 

    Três principais conclusões emergiram das discussões sobre transparência na adaptação: 

    1. Sobreposição de Relatórios – a existência de múltiplos instrumentos de relato (NDCs, BTRs, APCOMs, relatórios de síntese) pode gerar redundâncias e desafios de harmonização. No entanto, também oferece oportunidades para consolidar dados e evitar sobrecarga administrativa. 
    1. Diretrizes para o UAE Framework – há diretrizes aplicáveis para monitorar a adaptação nos quatro eixos do UAE Framework, mas ainda há lacunas na definição de metas temáticas específicas (ex: gestão costeira, agricultura e recursos hídricos). 
    1. Múltiplos Processos de Avaliação do Progresso – além das avaliações regulares na COP e CMA, há iniciativas paralelas, como o acompanhamento dos NAPs, o GST e o monitoramento de indicadores de adaptação. 

    Os próximos passos incluem: 

    O fortalecimento desses processos garantirá um monitoramento mais eficiente da adaptação climática, maximizando a utilidade dos relatórios sem criar sobrecarga para os países. 

    Integração dos Esforços Nacionais e Globais de Adaptação 

    Processo Iterativo da Adaptação Climática 

    A adaptação climática ocorre de forma interconectada entre os níveis nacional e global, com instrumentos de planejamento e relato desempenhando papéis fundamentais na avaliação do progresso e definição de ações futuras. A ECF e a OCDE destacaram um processo iterativo de adaptação, que inclui: 

    Esse ciclo informa diversos instrumentos da UNFCCC e do Acordo de Paris, como os NAPs, as NDCs e as APCOMs. O GST, realizado a cada cinco anos, desempenha um papel essencial na avaliação do progresso global e na formulação de estratégias futuras. 

    Principais Desafios e Oportunidades na Integração dos Instrumentos de Relato 

    A discussão abordou as vantagens e limitações dos diferentes instrumentos de relato de adaptação: 

    Conclusões e Encaminhamentos 

    Principais desafios:  

    1. Coerência entre relatórios: a existência de múltiplos relatórios (NDCs, NAPs, APCOMs, BTRs) torna a avaliação global complexa. 
    1. Medição do progresso da adaptação: indicadores processuais podem ajudar a monitorar a implementação das ações. 
    1. Capacitação e apoio técnico: países em desenvolvimento precisam de mais suporte para elaborar seus BTRs. 
    1. Falta de padronização nas APCOMs, dificultando a comparação entre diferentes países. 

    Oportunidades estratégicas:  

    Encaminhamentos para as negociações futuras: 

    A implementação dessas recomendações garantirá um GST mais eficaz e um relato global mais estruturado sobre a adaptação climática. 

    Monitoramento, Avaliação e Aprendizado (MEL) para Planos Nacionais de Adaptação (NAPs) 

    O painel sobre Monitoramento, Avaliação e Aprendizado (MEL) abordou a importância dos sistemas de rastreamento do progresso na adaptação climática. Foram discutidos os desafios e oportunidades para fortalecer os sistemas MEL, integrando dados quantitativos e qualitativos em um processo contínuo de aprendizado. 

    Principais Discussões do Painel 

    Financiamento para Implementação das NDCs 

    Em paralelo às discussões sobre adaptação, foram realizados painéis dedicados a estratégias para mobilizar financiamento e tornar destravar a disponibilidade de recursos para implementação das NDCs. As discussões abordaram desafios estruturais, oportunidades e soluções para integrar as NDCs ao planejamento econômico e financeiro. 

    Desafios Identificados 

    Oportunidades para Viabilizar Financiamento para NDCs 📌 Investidores já observam as NDCs 

    Conclusões e Próximos Passos 

    Painel Final: Mensagens Políticas da Presidência da COP 30 e da SBI Chair 

    O evento foi encerrado com discursos de Julia Gardiner, Presidente do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI), e do representante da Presidência da COP30, ambos destacando mensagens-chave para as próximas etapas do regime climático internacional. 

    Julia Gardiner enfatizou que os principais focos da COP30 devem ser a nova rodada de NDCs e os indicadores de adaptação do Quadro Global de Resiliência Climática dos Emirados Árabes Unidos EAU. Ela ressaltou que o envio dentro do prazo, pela maioria das Partes, dos primeiros BTRs demonstra o compromisso dos países com o Acordo de Paris e fortalece o Marco de Transparência Aprimorado. Além disso, destacou que as NDCs devem ser usadas como instrumentos estratégicos para captar oportunidades econômicas e financeiras decorrentes da ação climática. 

    Gardiner apontou que o principal objetivo de 2025 será consolidar os indicadores de adaptação, sendo o primeiro workshop técnico sobre o tema, previsto para ocorrer em Bonn, um passo essencial para estabelecer um processo transparente e pragmático até a COP 30. Segundo ela, quatro mensagens-chave devem orientar a definição desses indicadores: primeiro, não se deve buscar a perfeição desde o início, pois o refinamento será contínuo com a experiência prática; segundo, os indicadores precisam estar alinhados com outros marcos globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Marco de Sendai e o Marco Global de Biodiversidade; terceiro, é essencial que estejam integrados aos processos de transparência, como os BTRs e demais mecanismos de monitoramento da UNFCCC; e, por fim, é necessário que sua construção seja coletiva, para garantir um resultado sólido e representativo na COP30. 

    Em relação às próximas reuniões, Gardiner mencionou que o SB 62 terá uma agenda intensa, com importantes eventos mandatados e itens substanciais sob a responsabilidade do SBI. Ela destacou que a COP 30 deve enviar um sinal claro à comunidade internacional, demonstrando que o Acordo de Paris está funcionando e que existe um compromisso coletivo com sua implementação efetiva. 

    Por fim, defendeu uma mudança de abordagem para 2025: com a fase estrutural das negociações do Acordo de Paris concluída, é hora de focar na implementação. Segundo ela, é necessário adotar uma postura de solucionadores de problemas, priorizando estratégias que transformem as políticas climáticas em resultados concretos. O diálogo climático deve envolver governos, setor privado e sociedade civil, utilizando a COP30 como uma plataforma para inovação e colaboração multissetorial. 

    Túlio Andrade, representante da Presidência da COP 30, destacou em seu discurso a importância de conectar as negociações climáticas à realidade global. Segundo ele, o Acordo de Paris já está plenamente operacional e o momento atual é de implementação e aperfeiçoamento dos mecanismos existentes. O principal desafio, afirmou, é traduzir os compromissos internacionais em mudanças reais na vida das pessoas, garantindo que os governos respondam às demandas sociais e acelerem a transição climática. 

    Ele apresentou três mensagens-chave para orientar os trabalhos rumo à COP 30. A primeira é a necessidade de preservar, consolidar e expandir o multilateralismo. Andrade lembrou que o regime climático da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) tem mais de 30 anos de avanços e agora entra em uma nova era, pós-negociação. O foco, portanto, deve ser assegurar a implementação efetiva das decisões já tomadas. 

    A segunda mensagem diz respeito à urgência de acelerar a implementação do Acordo de Paris. Para isso, é essencial fortalecer a conexão entre os instrumentos da UNFCCC e os diversos atores externos, incluindo os setores econômicos, os governos subnacionais e as instituições financeiras globais. Ele frisou que a ação climática não deve se limitar à mobilização de recursos financeiros, mas deve se consolidar como prioridade transversal para o desenvolvimento sustentável em escala global. 

    A terceira mensagem enfatiza a necessidade de conectar as negociações climáticas à vida real. Andrade afirmou que a ação climática não pode ser tratada como um tema isolado, devendo integrar a agenda de desenvolvimento, geração de empregos e investimentos sustentáveis. A ambição climática, segundo ele, não pode se restringir a compromissos políticos formais, mas deve se tornar um motor de transformação econômica e social. 

    Túlio Andrade também destacou que a COP 30, que será realizada em Belém, representa uma oportunidade única para consolidar essa nova fase do regime climático global. É o momento de garantir que os mecanismos da UNFCCC sejam operacionalizados de forma eficaz, fortalecer a intersecção entre clima, desenvolvimento e justiça social e fazer da conferência um verdadeiro marco de transformação para o regime climático internacional. 

    Para impulsionar essa agenda, ele propôs três estratégias centrais. A primeira é promover a ação climática na prática, transformando as políticas climáticas em impactos reais na economia e na sociedade. A segunda é a mobilização global, com o objetivo de engajar a sociedade civil e garantir que a COP30 seja um evento de impacto social, e não apenas técnico. A terceira estratégia é a realização de uma Cúpula de Dados e Transparência, que assegure que todas as decisões políticas sejam baseadas em evidências concretas e em indicadores confiáveis. 

    Concluindo seu discurso, Andrade afirmou que a COP 30 deve ser um marco de mudança de mentalidade, em que a fase de negociação seja superada e dê lugar à implementação. O sucesso do multilateralismo, segundo ele, dependerá de sua capacidade de entregar resultados concretos. “Vamos usar a COP 30 para transformar a visão climática global em realidade”, afirmou. 

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